Mete as chaves à porta, abre-a e entra, e assim que fecha a porta de casa, sai a mãe da cozinha e diz-lhe:
- Laura, onde foste?
- Correr mãe..-e nisto dá-lhe um beijo na face e acrescenta- fui até à praia correr. (e dirige-se até ao quarto)
Já no quarto Laura atira-se literalmente de costas para cima da cama, e fica a olhar ao seu redor, à sua volta, ficando depois mais concentrada no tecto e perdendo-se novamente no além. Laura está longe, muito longe tão longe em pensamento que mal ouvia a sua mãe que já chamava esta pela 3ª ou 4ª vez, para irem para a mesa almoçar.
Já depois de terem almoçado, e enquanto arrumam a cozinha, Laura e sua mãe iniciam uma conversa:
- Que se passa? - pergunta a mãe
- hum? como assim?
- Estás estranha, mal comes-te, foste correr de manha e demoras-te imenso tempo a responder..
- Há, precisava de espairecer, sabes como é mãe, os bons resultados não aparecem do céu e já estava um pouco cansada da mesma rotina..
- Hum, hum - Laura olha para a mãe pelo canto do olho desejando que ela acaba-se aquela conversa, pois ela sabia que estava quase num dos seus limites, que mais cedo ou mais tarde iria ter uma "quebra emocional" e não queria, pelo menos, não já..mas a mãe insiste - sabes que te conheço à quase 17 anos certo?, que fui eu que cuidei sempre de ti e que além de amiga sou tua mãe?
- Sim, e que tem isso a ver?
- Tem que sei que algo te preocupa, assusta, te põe reticente e que hoje não vai ser de todo um dia fácil em que o que mais facilmente fazes é sorrir
(e nisto Laura acaba de limpar a bancada e acrescenta:
- Ainda bem, ao menos já sabes.. não leves a mal, mas vou para o quarto.
Ela entra no quarto, mais uma vez deita-se de cima da sua querida e aconchegada cama, olha para o tecto e de seguida para as paredes, mas ainda insatisfeita, Laura olha para a janela e focasse no que fica para lá do vidro, estava tão concentra que mais uma vez naquele tão cansativo dia, viaja sem sair do mesmo lugar, desta por momentos passados, momentos já vividos antigamente, momentos que hoje em dia já não pertencem nem se repetem no presente (...) mas a verdade é sempre mais forte e cruel que a nossa imaginação (na maior parte das vezes), e por essa mesma razão, Laura regressa à realidade, voltando a ver apenas, a rua, a janela, os prédios e o céu, e ao regressar depara-se com uma lágrima a começar a cair, esta vinha do canto do olho direito, e escorria lentamente, até que esta decide "tirar-lhe o gozo" e limpa-a..
p.s. continuação depois*

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