Laura, senta-se e encosta-se à parede; pega no seu peluche, agarra-se e deita a cabeça de cima dele;
Depois da primeira lágrima já ter caído, mais caem, cai uma, duas, três, quadro, cinco.. mas chega a uma altura que ela limpa os olhos e dirige-se à casa de banho para lavar a cara.
Quando volta para o quarto e fecha a porta, passa pelo corredor e ao passar a mãe vê-a, e apesar de não dizer nada, sabe que a filha estava a chorar, mas preferi-o deixá-la expulsar tudo o que estava dentro dela, conhecia a filha, talvez melhor que ninguém, e por isso reconhecia que ela precisava de um bocadinho a sós.
Já no quarto, Laura senta-se à beira da cama e balança os pés, seguindo depois em direcção à varanda/janela, encosta as mãos na janela e contempla a rua, mas não olha apenas, Laura observa a rua, pelo menos tenta, e focando-se observa tudo ao pormenor, até a pequena menina que "fugia" dos seus avós em direcção ao parque que ficava ao fundo da rua. A pequenina parecia ter cabelos castanhos claros e ainda curtinhos, e não deveria ter mais que dois anos (no máximo), a julgar pela "aparência". Isto fez Laura lembrar-se de quando ela mesma era mais novinha, quando ainda era uma pequena inocente criança no meio do mundo, do qual ela nunca partilhou a ideia que fosse tão estranho e complicado.
- Laura? - diz a mãe, ao mesmo tempo que bate e abre a porta do seu quarto.
- Diz mãe..
- Estás melhor?
- Melhor de quê?, eu estive e estou bem - diz Laura, que não se apercebera que a mãe a tinha visto um pouco antes, quando esta saíra da casa de banho.
- Eu vi-te filha, não precisas negar- Laura senta-se na cama e ao baixar a cabeça começa a mexer nos dedos e/ou unhas, e a mãe agacha-se perto dela, e agarrando nas suas mãos continua- além de tua mãe, sou tua amiga, sei que posso falhar muitas vezes, mas podes confiar em mim e falar comigo.
- Eu sei mãe, e obrigada.
- Sabes?, então conta-me - Laura olha pela esquina dos olhos para a mãe - conta-me que te deixou assim.. foi ele não foi?
- Não mãe, foi a vida, as saudades, as pessoas..até as saudades das pessoas..
- Isso são coisas da vida meu amor, tens de te habituar e manter forte, apesar de chorar fazer bem não podes fazer disso a tua vida filhota.
- Eu sei mãe, foi só hoje, isto já passa.
A mãe da Laura abraça-a e Laura deixa cair uma lágrima, e ao afastarem-se, a sua mãe limpa-lha e diz:
- Hoje não está cá quem gostavas que o fizesse, sei que não é o mesmo, mas hoje faço-o eu, e deixe dizer-lhe que faço-o com todo o gosto. (e sorri)
Laura sorri também e acrescenta:
- Isto não é o fim do mundo mãe, são apenas as lembranças, memórias e recordações a torturarem, ou melhor, a sufocarem :)
A mãe da-lhe um beijo na testa e depois de lhe dizer que a quer bem, sai do quarto deixando-a sozinha.

Obrigada pelas tuas palavras!
ResponderEliminar(desculpa a demora a responder!) Feliz Natal ♥